COTAS

Há alguns anos, uma de minhas melhores amigas e eu começamos a conversar sobre cotas para negros nas universidades públicas. Ela é a favor, e apesar de não ser negra, está participando de um grupo de protesto que está lutando por essas cotas aqui no Ceará. Então eu perguntei se, como se trata de uma medida imediatista, o melhor não seria lutar por cotas para alunos oriundos de escolas públicas e ela respondeu que não, pois “só entrariam pobres brancos, porque o negro tem menos acesso ao ensino fundamental e médio do que quem tem a pele clara”.

Depois desta afirmação, pedi para que ela me dissesse por que quem tem mais melanina no corpo tem menos acesso à educação pública que o pobre branco. Ela não soube me responder, então eu disse que nunca tinha ouvido falar de que, alguém, por ser negro, não teve acesso à rede pública de ensino.

Nos anos oitenta, quando a minha mãe precisou me matricular em uma escola pública perto da minha casa, pois meu pai não tinha dinheiro suficiente nem para pagar um colégio particular ruim, teve que passar muitas horas em uma fila quilomêtrica para que eu pudesse ingressar no primário, e o fato de ela ser branca como a neve não a ajudou em nada. Pois bem, quero deixar bem claro que, apesar de parecer contra as cotas para negros das universidades públicas, ainda não tenho posição definida a respeito, o que eu sei, como educadora, que o problema é de base, e isso atinge não só o negro, mas qualquer pessoa, que assim como eu, nunca teve o direito a uma escola de qualidade, independente da cor.

One thought on “COTAS

  1. Realmente é um aburdo o que essa sua amiga falou. Baseado em que ela disse isso? Com relação à escola pública a questão não é racial. Branco pobre como negro pobre terão a mesma chance de ingressar no ensino público e as mesmas dificuldades de passar em um vestibular de faculdade pública, assim como dificuldade para pagar universidade privada. A questão é mesmo de base. O que tem que ser feito é investir todas as forças na escola pública para o pobre fazer frente ao médico burguês que tem medo de seu filhinho meia-boca não entrar em Medicina.

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