SEGUNDA TEMPORADA À VISTA

Consegui um tempo entre diários e filósofos alemães para escrever um post maior sobre o início da segunda temporada do Bolsa da Márcia. Bom, cheguei em Trairi no dia primeiro de outubro apenas com uma bolsa de viagem, a minha situação nas três escolas ainda não tinha sido resolvida e eu preferi esperar um pouco para trazer meus móveis. Eu tinha conseguido um ótimo apartamento em um fim de mundo chamado Canaã, povoado de Trairi, que fica a 18km do Centro, era mais prudente morar lá porque eu tinha aulas à noite. Mas as três escolas não conseguiram ajustar os horários e depois de um mês insistindo com o setor administrativo de Itapipoca, consegui ficar em duas escolas no Centro de Trairi \º/
Graças à Deus eu consegui um outro ótimo apartamento, agora no Centro, dá para ir caminhando pra tudo: banco, lotérica, agência dos correiros, farmácias, restaurantes, pizzarias, lanchonetes, lan house, praças, hospital, auto escola, DETRAN, delegacia (tem ronda do quarteirão passando o tempo todo em frente a minha casa) e para uma das escolas, a outra fica a 2km do apartamento, posso ir no ônibus da escola de graça ou de bicicleta, a pista é um tapete até lá. As praias são maravilhosas, a de Flecheiras fica a 11km e a de Mundaú, a 17km, posso ir de moto táxi por sete reais ou de ônibus, por dois reais. A maior parte dos alunos mora na zona rual, muitos tem que viajar mais de uma hora para chegar na escola, os ônibus do governo vem deixá-los e buscá-los, pego carona na porta do meu prédio. E para quem achava os nomes das cidades de Piripiri, Pau dos Ferros, Oeiras e Surubim engraçados, agora eu tenho alunos de povoados chamados Purão, Chão Duro, Feijão, Gurguri, Gualdrápas, Gamileira, Tamanduá e Passa Lição 😛 Quanto aos alunos, há muitas turmas ótimas, outras um pouco difíceis, mas eu sempre tento dar exemplos que tenham a ver com o cotidiano deles, peço para os “malas” fazerem a chamada e ficar responsáveis pela sala quando eu tenho que me ausentar por alguns instantes.
Os alunos da noite são os mais difíceis, mas muito engraçados, na semana passada, um deles fez a chamada e uma menina respondeu: “Faltou, tá bem doente”, e ele “Tá bem ou tá doente? , outro chamou Descartes de malouqueiro e um me deu um exemplo de frase parecida com o “Penso, logo existo”, desse jeito “Minha mãe me bate, logo sou danado.”. Às vezes são chatos, pedem para ir ao banheiro o tempo todo, para beber água, dizem que eu passo leitura demais e peço muito para eles escreverem (hehehe), mas também são muito carinhosos e me respeitam muito, até os mais danados se calam e obedecem quando a gente chama atenção, o pessoal daqui ainda tem o bom hábito de respeitar o mais velhos (isso não quer dizer que eu esteja me chamando de velha, viu?). Muitos deles tem o desempenho muito fraco, mas também há meninos que tem uma ótima capacidade de síntese e de questionamento, como os que ganharam um computador do governo por terem conseguido uma boa nota em uma prova anual chamada SPAECE. Infelizmente tenho que parar por aqui, mas, em breve, trarei mais notícias sobre o meu exílio paradisíaco. E assim, a garota que estava presa em um “castelão” sem finais de semana, sem feriados, e, algumas vezes, sem festas de final de ano, assinou a sua “carta de alforria” no dia 20 de setembro de 2010.

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